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A história de Daniel do Nascimento

Daniel do Nascimento recorda com clareza a experiência marcante que teve aos 8 anos, quando um caminhão colorido estacionou em frente à sua escola em Caucaia, no Ceará. Moveu-se por curiosidade e, junto com seus colegas, explorou o interior do veículo cheio de livros, que seriam posteriormente utilizados na biblioteca renovada de sua escola. Esse momento gerou uma transformação profunda em sua vida, dando início a uma série de atividades que incluíam oficinas de arte e um jornal escolar. Em uma dessas experiências, Daniel desempenhou um papel de liderança ao ser convidado a ajudar na organização das turmas, algo que o surpreendeu, pois sempre foi considerado um aluno problemático da ‘turma do fundão’. “Esse papel despertou em mim um sentimento de liderança que se tornou uma parte fundamental da minha vida”, conta Daniel, que hoje tem 31 anos.

O surgimento do Instituto Cumbuco Bom de Bola

Impulsionado pelo impacto positivo que o Instituto Brasil Solidário (IBS) teve em sua escola, Daniel fundou, em 2013, o Instituto Cumbuco Bom de Bola. O instituto já beneficiou mais de 540 alunos, com idades entre 4 e 17 anos, por meio de atividades que abrangem esportes e educação. Daniel reflete sobre seu passado, mencionando que muitos de seus amigos se envolveram em atividades violentas. “Sinto-me grato por não ter seguido esse caminho e, no contexto atual de criminalidade crescente no Nordeste, minha missão é direcionar esses jovens para um futuro melhor”, explica o estudante de educação física.

Como o esporte promove inclusão social

O futebol sempre foi a paixão de Daniel. Desde pequeno, sonhava em jogar profissionalmente para mudar a vida de sua família, mas ao confrontar a frustração de não conseguir esse objetivo, ele percebeu que o esporte poderia servir a um propósito diferente. Assim, decidiu utilizar sua formação em educação física para criar um projeto que beneficiaria sua comunidade. “Queria descobrir maneiras de manter as crianças na escola e engajadas em atividades culturais, despertar nelas o interesse pela leitura e o envolvimento com a arte”, afirma Daniel.

ex-aluno de ONG

Educação e esporte: uma combinação poderosa

Daniel percebeu que um dos professores mais admirados pelas crianças era o professor de educação física, pois ele proporcionava momentos de movimento e diversão aos alunos. No entanto, Daniel queria expandir esse rol para além do esporte, almejando utilizar atividades físicas como um ingresso para despertar a curiosidade dos alunos em diversas áreas e contribuir com seu desenvolvimento. Em 2013, ele deu início ao projeto com um grupo de 14 meninas que enfrentavam problemas de comportamento e não recebiam atenção educacional. “Os desafios eram inúmeros; faltávamos recursos e materiais de apoio”, recorda.

Resultados impressionantes com menos de 300 alunos

Para financiar o projeto, Daniel começou a dar aulas de kitesurfe e destinava parte da renda para as atividades do instituto. Foi nesse cenário que recebeu apoio do Luis Salvatore, um colaborador do IBS, que reconheceu o potencial do Instituto Cumbuco Bom de Bola e o ajudou a formalizar a instituição. Desde então, o instituto vem recebendo apoio e colaboração de voluntários e profissionais de diferentes áreas, ampliando sua capacidade de atendimento e sua estrutura. Hoje, o instituto atende 253 crianças e adolescentes em dois núcleos.



Empoderamento e liderança nas crianças

As escolas também desempenham um papel essencial, encaminhando alunos ao instituto e permitindo que professores sugiram essa alternativa como uma forma de socializar crianças, inclusive aquelas com autismo e Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH), que frequentemente enfrentam barreiras para fazer amigos. O Instituto Cumbuco Bom de Bola prioriza a inclusão desde cedo, deixando claro que não existem “bons” ou “ruins” no esporte. Com aulas gratuitas de futebol e futsal, também são oferecidos acompanhamento psicológico e palestras motivacionais, promovendo um espaço seguro e acolhedor para todos os jovens.

Impacto da educação financeira nas aulas

A educação é uma prioridade no instituto. Sempre que um aluno apresenta desempenho baixo nas notas, a equipe busca entender as razões por trás desse resultado. Algumas crianças que começaram com notas de 3 ou 4 se tornaram exemplos de comportamento e desempenho escolar ao longo do tempo, e algumas foram premiadas em olimpíadas de matemática. Uma regra clara estabelece que, para permanecer no instituto, é preciso ter uma média mínima de 7 na escola, criando uma motivação adicional para o engajamento nos estudos.

O papel da comunidade no projeto

O envolvimento da comunidade tem sido crucial para o sucesso do Instituto Cumbuco Bom de Bola. O reconhecimento da importância de apoiar o projeto fez com que as redes de parcerias se ampliassem ao longo dos anos, trazendo voluntários comprometidos com as áreas jurídica e contábil. Essa colaboração gerou um crescimento estruturado do instituto, refletindo-se na qualidade das atividades promovidas e no bem-estar dos alunos. Além disso, a comunidade reconhece o valor de iniciativas que ajudam a combater a criminalidade e oferecem uma saída viável para os jovens.

Desafios enfrentados ao longo do caminho

Daniel e sua equipe enfrentam desafios constantes, principalmente na captação de recursos e na manutenção das atividades. “No início, muitos comerciantes viam nosso projeto apenas como mais uma tentativa sem futuro. Com o apoio do IBS e o comprometimento de alguns parceiros, conseguimos reverter essa percepção e ganhar credibilidade”, explica. O apoio de doadores também é vital para garantir a continuidade das atividades e possibilitar experiências enriquecedoras para os alunos.

Futuro promissor para o Instituto e seus alunos

O futuro do Instituto Cumbuco Bom de Bola parece promissor. Daniel já está próximo de concluir sua faculdade de educação física e sonha em ser professor, preferencialmente na mesma escola onde cresceu. Ele também almeja expandir as iniciativas do instituto para mais comunidades, perpetuando o impacto positivo que suas ações têm sobre o desenvolvimento da juventude em sua região. Ao final, Daniel conclui: “Aprendi que o futebol é mais do que um mero jogo; é uma ferramenta poderosa de inclusão e transformação social, capaz de impactar a vida de toda uma comunidade.”



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