Justiça é acionada para barrar data center do TikTok no Ceará
O Ministério Público Federal (MPF) juntamente com a Defensoria Pública da União (DPU) moveu uma ação civil pública com o objetivo de impedir a implementação do Data Center Pecém, um projeto vinculado ao TikTok localizado em Caucaia, no Ceará. Este processo foi registrado no dia 4 de setembro e destaca problemas relacionados ao licenciamento ambiental do empreendimento, que está avaliado em R$ 200 bilhões.
Os principais motivos da ação judicial
O MPF e a DPU fundamentam sua solicitação em diversos pontos críticos. A Superintendência Estadual do Meio Ambiente do Ceará (Semace) apressou a autorização para o funcionamento do data center através de um Relatório Ambiental Simplificado (RAS). Este tipo de documentação é mais apropriado para projetos de menor impacto, como kartódromos e parques de vaquejada, enquanto o porte do data center exigiria um estudo mais abrangente, conhecido como Estudo de Impacto Ambiental e Relatório de Impacto Ambiental (EIA/Rima).
O impacto ambiental do Data Center
A principal preocupação reside no impacto ambiental potencial que o data center poderia causar. O projeto original indicava um consumo diário de 19,7 mil litros de água, que posteriormente saltou para 144 mil litros por dia, de acordo com a licença de instalação. Além disso, enquanto foi prometido que o data center seria abastecido por energia 100% renovável, o projeto inclui a instalação de 120 geradores a diesel como fonte de backup, o que levanta dúvidas sobre a viabilidade das promessas ambientais.

O licenciamento ambiental contestado
As discrepâncias nos dados fornecidos por Omnia, responsável pela construção e operação do empreendimento, também são um foco de crítica. A licenciamento prévio indicava um consumo de água muito inferior ao que foi posteriormente solicitado, levantando suspeitas sobre a transparência e a precisão das informações apresentadas. O fato de a Semace não ter exigido uma análise mais rigorosa levando em consideração a magnitude do projeto é um dos pontos centrais da ação.
Detratores do projeto e suas preocupações
Várias entidades e ativistas ambientais expressam preocupações sobre como o data center afetará a região de Caucaia, que já enfrenta escassez hídrica crônica. Desde 2006, a área declarou estado de emergência hídrica em 16 dos últimos 21 anos, o que levanta ainda mais dúvidas sobre o consumo de água proposto por este empreendimento.
As inconsistências nos números apresentados
A diferença significativa no consumo de água e os planos de energia contraditórios suscitam dúvidas sobre a confiabilidade das informações fornecidas por Omnia. Os procuradores afirmam que a Semace não atuou adequadamente ao liberar o projeto, dado que a magnitude exige uma consideração séria das consequências ambientais. Além disso, a natureza do projeto não apenas afeta a disponibilidade de recursos hídricos, mas também a qualidade de vida da população local e das comunidades indígenas.
Qual o futuro do Data Center no Ceará?
Com as atividades do Data Center Pecém planejadas para começarem em 2027, há um clima de incerteza sobre a sua aprovação final. A ação judicial visa não só impedir o início das operações, mas também reexaminar o processo de licenciamento ambiental para garantir que todas as preocupações sejam devidamente abordadas. A decisão a ser tomada pela Justiça poderá ter implicações significativas não apenas para outras iniciativas semelhantes, mas também para como os projetos de grande escala são tratados em relação ao meio ambiente no Brasil.
Histórico de escassez hídrica na região
A região de Caucaia é marcada por uma longa história de dificuldades relacionadas à escassez de água. Analisando os dados históricos, é evidente que a luta por recursos hídricos é um tema crítico para os moradores locais. A proposta de um empreendimento com altas demandas de água em uma área tão afetada por crises hídricas é vista como um potencial agravante da situação já precária.
O papel do Ministério Público Federal
O MPF tem um papel fundamental ao questionar a regularidade dos processos de licenciamento ambiental e assegurar que sejam implementadas medidas adequadas que protejam o meio ambiente e os direitos da população. Esta ação serve como um alerta sobre a necessidade de seguir rigorosamente as regulamentações ambientais para evitar comprometer recursos naturais essenciais.
Consultas à comunidade indígena
Outro aspecto relevante da ação diz respeito à consulta prévia das comunidades indígenas, especificamente do povo Anacé, que reside nas proximidades do projeto. O MPF e a DPU alegam que a Omnia não considerou a consulta como uma responsabilidade e apenas apresentou o projeto após já ter obtido as licenças necessárias. Tal atitude vai contra princípios de respeito à cultura e aos direitos dos povos indígenas.
A resposta da Omnia e do TikTok
Em resposta às alegações, a Omnia afirmou que o projeto possui “solidez técnica e jurídica” e que segue todos os procedimentos de licenciamento determinados pela Semace, alegando que todas as autorizações foram obtidas após a devida análise dos órgãos competentes. A empresa também declarou que ainda não havia sido formalmente notificada sobre a ação. Por outro lado, o TikTok, que é apenas o cliente deste data center, informou que não se pronunciaria, uma vez que não é parte do processo judicial.
Essa situação representa não apenas um caso isolado, mas também um reflexo das tensões existenciais entre exploração econômica, sustentabilidade ambiental e os direitos de comunidades vulneráveis. A interação entre esses fatores é crucial para o desenvolvimento sustentado e a equidade social no Brasil.


